top of page
Buscar

Pensei nas crianças

  • annalubragaesc
  • 13 de out. de 2022
  • 3 min de leitura



Sandrinha e o pé de bananinha


Faz um ano que Sandrinha não vai à escola. A menina pede à fada madrinha que a pandemia passe logo para que seus pais, seus amigos, todas as pessoas voltem a sorrir. A mãe vive cansada no banco da cozinha e o pai diz para ela brincar com as bonecas que têm. Um dia, a mãe abre a porta de casa e repara que nasceu uma planta em um palmo de terra. Elas regam diariamente e aproveitam o sol. Sempre ao acordar, a única coisa que Sandrinha pensa é na hora conversar com a planta que virou uma bananeirinha. Até em sonho, ela aparece e se apresenta com o nome de Esperança. A menina pergunta se todas as plantas têm o nome bonito assim.

No dia certo, a mãe explica. Ela sente que a filha já tem idade para entender que esperança é o nome que os adultos dão às coisas muito desejadas. Mas Sandrinha quer saber se pode dormir com a Esperança e corre para a porta. Sem ter como responder, a mãe diz que ela vai ficar muito alta e dar frutos enormes. Sandrinha acha lindo e quer saber se pode ficar a vida toda com a Esperança. A mãe afirma ser uma questão difícil, porém perfeitamente possível para quem possui boa natureza, e conta uma história.

Era uma vez uma menina pobre que queria muito ter um dia feliz. Ela plantou uma bananeira que deu frutos à vontade. Depois que já tinha bananas, comida, amigos e até bicicleta, ela começou a ler livros. Depois, separou as mudinhas e plantou mais bananeiras. Depois, quando tinha bananas demais para vender e comprar comida variada, ela passou a fazer doces. Depois, ela convidou todos os amigos para trabalharem na loja. Depois, ela comprou um lote e plantou muitas árvores frutíferas. Os bichos também já podiam se alimentar. Depois que ela já tinha bananas, comida variada, amigos, uma coleção de livros e até carro, ela fundou um lar para pessoas que não tinham onde dormir. Depois, quando ela já tinha bastante dinheiro, dividiu com todos os amigos com uma condição: que cada um plantasse uma bananeira e fizesse o bem para os outros. E das bananeiras, eles separaram as folhas e fizeram novos abrigos. Colheram mais folhas e lançaram nos rios poluídos. As águas foram melhorando e voltaram a ser transparentes. As crianças já podiam brincar no calor e até viam os peixinhos.

Um dia Sandrinha despertou com o barulho do pessoal. Os seus pais apontavam para a bananeira repleta de flores com o coração vermelho na ponta. A menina logo pediu o regador. A mãe já sabia que era para a Esperança. E que a história da menina pobre ia se realizar, porque a pandemia ia passar e a tudo melhorar.

Sandrinha cresceu com a bananeira. E a pandemia acabou.

Os pais começaram a vender as bananas para os mercados e com o lucro puderam juntar o suficiente para sua universidade. O restante ficou por conta da perseverança de Sandrinha que, no futuro, faz uma roda no jardim e conta essa história para seus filhos. Ela não somente se tornou uma empresária do ramo de doces como fundou uma organização de amparo aos meninos e meninas carentes, que chama de seus. Assim, a Musa Paradisíaca[1] honrou seu título de Esperança.


Bananeira (Musa Paradisíaca L.) da família Musaceae.


Este conto integra meu livro Cadeiras mancas (ed. Patuá/2021)









[1] Bananeira (Musa Paradisíaca L.) da família Musaceae.

 
 
 

Comentários


Annalu Braga

Nas redes sociais

  • alt.text.label.Instagram

©2022 por Annalu Braga . Orgulhosamente criado com Wix.com

bottom of page